Saiba como o Desenho Animado começou no Brasil:

Bem vindu!
Aqui você fica sabendo como é feito um desenho animado tradicional (2D), suas etapas e sua evolução. Algumas biografias resumidas do pessoal da
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

As Aventuras da Turma da Mônica - "Um Amor de Lantana"


Esta sequência do primeiro longa metragem do Mauricio de Sousa, As Aventuras da Turma da Mônica, foi feita por Mario Lantana e sua assistente Glória Costa intervalou. Ele ficava solfejando a marcha fúnebre e desenhando na sua mesa. À vezes levantava, caminhava pela sala, de um lado para outro, sua expressão era de preocupado, sério, muito concentrado.
- Está tudo bem Lantana? - perguntou uma vez um assistente de animação de outro animador.
Ele cortou o cara e falou:
- Depois a gente fala. Não é nada.
Sua assistente achou interessante aqueles modos. Viu que o Lantana nem prestara atenção para a expressão do novato. O intervalador voltou para sua mesa e não se falou mais a respeito, mesmo assim quem conhecia Mário Lantana, sabia que ele estava totalmente absorto na animação de sua cena. Se havia um problema era a expressão do seu personagem. Nas ninguém havia notado que Lantana ficara contente com a reação do novato. 
A cena demorou para ser feita, é um trecho longo de um ratinho que estava desapontado por perder a suposta namoradinha. Ele caminha e tem momentos em que se vc desligar o som e cantarolar a marcha fúnebre, vai notar que o personagem está andando dentro do compasso da música clássica que ele solfejava.
Foguinho e Lantana
Aquela situação do Lantana interromper a pergunta que alguém lhe fazia, era porque as expressões, o caminhar era um estudo de comportamento para desenvolver a cena de animação. Realmente não era nada. E, quando sua ação despertou o desejo de ajudar no rapaz, ele ficou exultante! Era aquela forma  de agir que ele deveria impor ao personagem. Resolvida a dúvida ele não saía da mesa nem para tomar café.
Algumas vezes sua assistente levava o café para ele, ou chá de erva cidreira que ela preparava e levava para o departamento. Ele não falava muito, se tinha trabalho ficava envolvido nele. Era mais lento que os outros animadores em resolver a cena. Em compensação elas saíam impecáveis sem pencil-test!
Depois da intervalação aprovada por ele, podia enviar para arte final sem receios. A ficha de animação estava preenchida e com anotações para a sua assistente, para a arte-final e para a filmagem. Não era preciso chamá-lo em algum departamento para esclarecer dúvidas. Ao contrário, se ele achasse que alguém não entenderia algo, era ele quem ia dar alertas de como fazer e proceder. 
E esta é mais uma característica daquela época, se você quisesse fazer um teste de filmagem da sua cena para ter certeza de que o movimento estava correto, o "timing" (as marcações de tempos) tinha ficado ok, era preciso fazer uma filmagem com filme super 8, que, para quem não sabe, era um película de 8mm. Filmado era preciso mandar revelar na KodaK e esperava-se 15 dias para ver o resultado... Detalhe: não havia laboratório de revelação no Brasil, o super 8 era enviado para fora do país!
Lantana e a sequencia final de "Um Amor de Ratinho"
Muitas, senão todas as vezes os animadores recebiam um comercial para animar e tinham um prazo em média de uma semana para fazer a animação e o filme revelado tinha que ser entregue em um mes! Contava-se nesse prazo a marcação de ficha de som, animação e intervalação, arte final, filmagem, mixagem do som e revelação. Então na maioria das vezes descobríamos o que tínhamos feito ao rodar na moviola o filme e o copião com o som... os animadores se reuniam para assistir e analisar seu trabalho. Para na próxima evitar alguma marcação de tempo para os personagens.
Mas Lantana olhava, ficava quieto, não dava palpite na cena de ninguém sem que pedissem. E avaliava o que poderia fazer novamente na próxima animação. E quando ele criava alguma fórmula nova na animação, se ele gostasse do resultado repetia em outras cenas.




filme

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